quarta-feira, março 01, 2006

A hora do lobo

Ele tem o dom de me anestesiar, de me fazer gaguejar, de não me permitir lembrar o dia de hoje. Para muitos contos isso é lindo, para quem sofre é terrível. É quase uma paralisia cerebral, uma dificuldade de lidar com os sentidos; uma forma voluntária impressionante de perder a direção, ou seja, parar no tempo. E só quem pára no tempo é defunto e parece que é assim mesmo que me sinto, morta. Para quem já assistiu a noiva cadáver deve entender que o depois da vida pode ser melhor do que temos hoje enquanto respiramos. "Veja o sol dessa manhã tão cinza, a tempestade que chega é da cor dos seus olhos castanhos. Então me abraça forte, me diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo".

1 Comments:

Blogger A Libélula said...

A paixão tem dessas coisas. Ela é magnânima e terrível.
Mas a gente se sente viva com ela e não morta.
Saudades de me sentir viva.

2:10 AM, março 02, 2006  

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