dias de menina
Quando eu tinha 12 anos eu dei meu primeiro beijo. Logo depois de tr?s dias que meu vizinho me pediu em namoro. Foram momentos muito lindos. At� ent?o n?o havia sentido meu cora�?o bater t?o forte. Em menos de um m?s, do nada, ele parou de falar comigo. Nos encontr�vamos sempre nas idas e vindas da escola. N?o era a mesma s�rie, mas o mesmo corredor, ciclo de amizades e o mesmo �nibus pra voltar pra casa. Ele fazia quest?o de oscilar a sua parada com a minha. Dando um quarteir?o de dist�ncia. Um dia, depois de alguns anos, eu fiz com que a coincid?ncia se tornasse real e paramos no mesmo ponto. No caminho, suplicava pela sua aten�?o e ele continuava a andar. Falei de amizade, da situa�?o, de sermos vizinhos e etc e ele continuou a caminhar. Nunca entendi a raiva que ele tinha de mim. Se ele soubesse os sonhos, as noites n?o dormidas, as l�grimas. Acho que ele n?o seria t?o mal assim. O impressionante � que ele se apaixonava sempre pelas minhas amigas. Inclusive, teve uma muito simp�tica e gentil que adorava ficar em frente de casa conversando comigo. E como o tempo nunca mente, descobri que era ele o foco principal. E com esse sentimento de desprezo eu tive que seguir at� fazer terapia, por mais de quatro anos. O engra�ado e c�mico � que hoje eu sei que n?o temos nada a ver. Acho que nem me chamaria a aten�?o se passasse na rua. Claro! Se n?o fosse pela pessoa que foi em minha vida. Um dia, uma nova namorada dele, n?o sabendo do caso, chamou-me para perto deles pra me cumprimentar. Sem jeito e t�mida, fui l� falar um oizinho. Foi t?o legal! Ele tinha p?los no peito. J� era um homem e eu nem havia me dado conta. Nunca mais tive coragem de olha-lo. Como se a verdadeira imagem dele fosse daquele menino de quatorze anos, que havia morrido por tanto desprezo.
Depois disso, apaixonar-me e desfazer desse sentimento sempre foi muito simples. N?o que n?o tivesse intensidade, mas era simples. E n?o tinha medo de me envolver.
Descobri que a vida � um ciclo.
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