domingo, junho 26, 2005

Quanta armadura usamos!

Eu tive um sonho uma vez, e que, na minha lembrança, os sorrisos eram verdadeiros. Olhares ... mãos postas em lugares certos. Não havia espaço para terceiras pessoas. Nem para outras preocupações.
Logo pela manhã, após a noite de princesa, vi o homem dos meus sonhos passar pela minha rua. O mais impressionante é que ele era um menino. Nem devia ter pelos no peito, mas no meu sonho tinha. Suas espinhas, que antes eram marcas de adolescência, ainda estavam estampadas em seu rosto.
Mesmo sabendo que aquele era o menino que iria me fazer feliz, deixei ele ir embora.
Não poderia deixá-lo entrar em casa e convidá-lo para tomar um simples chá. Seria muita ousadia. Já que este menino nem sabe o grande homem que irá se formar.
Naquele andar maroto, escondia segredos ... E eu nem poderia me atrever a dizer o quanto eu sabia.
Sei: aquele momento iria passar. A calçada em poucos minutos deixaria de ter a imagem dele e de sua sombra.
A minha chance havia se esgotado.
Ele virou a esquina.
Continuei meu dia, parecia que o sol não terminava nunca. E logo veio a noite de lua cheia.
Rezei e agradeci a Deus pela oportunidade de sonhar. Mesmo que nunca mais pudesse reaver, estava na lembrança. Eternizou-se um sonho.
Inesperadamente, imagens oníricas fizeram com que meu coração pulsasse mais forte. Era ele outra vez, mas agora, como menino.
Desta vez me fez suar frio, me deu calafrios e ouviu meus suspiros. Mas, não teve mãos, olhares e nem dizeres dos quais fossem capazes de dizer novamente que sou uma princesa. Foi pouco.
Acordei e não me reconhecia mais no espelho. Algo havia mudado em mim. Abri a janela desesperada e ansiosa esperei o menino passar. Meus olhos encheram de lágrimas quando apontou ele, o homem. Que me surpreendeu quando veio em minha direção e pediu para entrar. Alegou me conhecer de sonhos antigos.
Numa longa conversa descobrimos o que acontecera: projetamos nosso passado.
Desculpe, disse eu. Quero viver de desejo, sedução e magia.
A janela se fechou e nunca mais ele saiu da minha casa.
Espero sonhar outra vez.
Quantas oportunidades perdidas!!!! Eu queria ter vivido mais e sonhado menos. Eu queria ter querido amar, sentir. Eu queria ter mostrado minha cara, sem precisar passar por testes. Eu queria me mostrar espontaneamente para eu poder saber quem sou. Hoje, eu só quero perder o medo.

PS:Quero começar meu blogger com textos antigos. Este eu escrevi mais ou menos no meio de 2003.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Oi, Carol...
Adorei seu texto, bem profundo, visceral, diz muito sobre o que "queremos ser" e
na verdade mostra o momento exato em q acordamos pra vida, batendo de frente com
o q "deixamos de ser".
Às vezes tbm sou assim, sinto q perdi grandes oportunidades, e me arrependo do q
não fiz.
Vale a sabedoria popular q prega q não devemos nos arrepender do q fizemos, e
sim do q deixamos de fazer.

Muito legal...Gostei.

5:21 PM, junho 26, 2005  
Anonymous Anônimo said...

Como sempre tuas palavras são cheias de verdade e profundidade.
Bom te rever por aí pela rua, espero podermos ter um tempinbho pra conversar, bater um papo, enfim...
Fica com Deus e um abração!

Daniel Chermont

5:34 PM, junho 26, 2005  

Postar um comentário

<< Home